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A RETOMADA DO TURISMO

Principais insights da entrevista que participo aos domingos com o produtor e repórter Carlos Eduardo Santos, do canal Alo, meu nobre! Dia 24/05/2020, falamos sobre como será a retomada do turismo. Esse papo contou com a participação da fundadora da Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem, Claudia Beatriz, com a Doutora internacional em Comunicação e Sociologia, Solange Kurpiel e com a Produtora Cultural, Mariana Terra.

A conversa completa você pode ver aqui

CONTEXTO – ITÁLIA, FRANÇA E ORLANDO
Segundo a revista Viagem, a indústria do turismo já acumulou mais de 100M de trabalhadores desempregados por conta da pandemia que representa uma perda de mais de 2 trilhões no PIB mundial (a indústria do turismo representa 10% do PIB mundial). E para a retomada de forma responsável, o Conselho Mundial de Viagens e Turismo aposta no rastreamento dos passageiros, menor circulação de dinheiro em espécie e maior higiene.

A Itália está em processo de retomada desde o início de maio. O governo estabeleceu categorias de negócios com datas para as suas aberturas, que vai até setembro, quando finalmente as escolas deverão voltar (no novo ano letivo italiano). Ainda com muitas restrições, como a circulação somente dentro do próprio estado e cautela: sem acúmulo de pessoas, uso de máscaras e higienizantes para as mãos. É uma tentativa de convivência com o vírus e por isso a ideia é encontrar um equilíbrio entre quantidade de novos contágios e leitos nos hospitais para poder atender aos infectados.

Já em Orlando, onde o turismo é a principal atividade econômica, a brasileira Claudia Beatriz conta que algumas atividades já estão se preparando para reabrir, como os parques temáticos da Disney e Universal. Nos complexos de entretenimento restaurantes e lojas já começaram a funcionar (os cinemas ainda não) os clientes passam por uma medição de temperatura e muitos lugares colocaram avisos do tipo “SE VOCÊ ESTÁ AQUI, VOCÊ CORRE O RISCO DE SER INFECTADO”.

O que fazer ou não fazer neste momento? Solange Kurpiel comenta que a gente percebe neste período que por um lado tem uma inexperiência (e ela acha que é normal porque a gente nunca viveu esse contexto) e por outro, uma desconexão do poder público com relação às autorizações e indicações que são dadas – em todos os países. A França por exemplo, não tem as etapas como a Itália, mas eles criaram “zonas” a zona vermelha e a zona verde, com diferença de restrições. Na sua opinião, há um descompasso e a gente sente uma falta de um diálogo entre o poder público e a sociedade, já que algumas coisas poderiam ser previstas. O trânsito internacional para a França está restrito neste momento para pessoas que atestam a vivência no país – cidadãos ou quem tem o visto permanente. Assim com outros lugares do mundo, o turismo está totalmente fechado.

OVERTOURISM
Veneza é uma cidade muito delicada que tem uma limitação geográfica por ser uma ilha. É uma cidade com uma herança histórica desde o período das navegações. Porém, de uns anos para cá (mais ou menos desde 2010) o turismo massivo invadiu a ilha atraindo muitas pessoas porque a cidade estava no ‘pacote’ turístico. Aqui na Itália, a sensação de turismo exploratório é muito forte, as cidades ficam abarrotadas e o morador não consegue desfrutar a sua cidade de forma tranquila.

Claudia vê esse momento como uma oportunidade para os países que estavam sofrendo com o ‘overtourism’ (turismo de massa). Ela conta que o turismo sustentável é uma discussão que já acontece há mais de 6 anos mas que parecia impossível porque para acontecer e na sua opinião é preciso um governo forte.  Infelizmente o que parou o mundo foi uma doença, mas a gente está vendo como seria bom para o mundo a retomada de forma gradual. É preciso repensar a forma de viajar! Viajar de modo mais lento, aproveitando e apreciando os lugares por onde passa – e esse é um momento de refletir sobre isso. Mas na opinião da Claudia, é importante haver medidas mais duras, que venham do governo ou das empresas de turismo. Claudia é otimista quando pensa em uma mudança da realidade do turismo diante ao que estamos vivendo, mas ela também diz que tem uma realidade que ela vê que já tem gente mesmo que no meio da pandemia que pensa em voltar para os parques em Orlando!

Sobre a ressignificação do turismo, Sol completa que essa pandemia de uma forma ampla nos permite repensar o consumo em geral e como o turismo também se tornou um hiperconsumo bastante descabido nesses últimos tempos, até por uma oferta de passagens aéreas muito baratas. Como está cada vez mais comum viajar com pouco, isso cria um fluxo muito grande, o que é natural, já que as pessoas querem pertencer ao grupo de viajantes. Mas é interessante pensar que essa pandemia nos faz questionar esses maus hábitos de consumo e pensar em novas maneiras de visitar e estar em lugares. O turismo lento tem que se tornar uma alternativa. Não será mais possível fazer o turismo rápido de um país por dia e também de um ponto de vista ecológico, podemos evitar esses vários deslocamentos e tentar estar e perceber melhor um lugar, passando uma semana ou 10 dias. A gente não vai mais poder acumular tantas pessoas. E esse é o grande desafio pra quem trabalha com turismo e pra quem faz turismo. Repensar os hábitos “o que eu estou querendo com essa minha viagem tão frenética? ”

O TURISMO LOCAL
Mariana Terra conta a sua experiência em Marseille, no sul da França e que a prerrogativa na Europa agora é incentivar o turismo local. Claudia completa dizendo que isso vai ser uma tendência mundial já que todos os países vão começar a abrir internamente primeiro – para controlar as pessoas da região. É uma ótima oportunidade para o turismo no Brasil, por exemplo. A retomada do turismo vai começar localmente para ir se expandindo de acordo com o que a gente conseguir manter a curva de novos contágios achatada.

Claudia conta sobre o lançamento do e-book desenvolvido por ela através da Rede Brasileira de Blogueiros de Viagens (a RBBV) que reuniu 34 profissionais que escreveram sobre as suas regiões. Um material que auxilia quando estiver seguro para a retomada – já que a palavra de ordem agora é ficar em casa.

Na minha opinião, ter a oportunidade de conhecer um lugar histórico ou uma beleza natural deve ser visto como um privilégio! E precisamos ter responsabilidade: com respeito, carinho e admiração pelos lugares que pisamos. Temos que honrar os lugares onde pisamos, que fazem parte da natureza humana, do nosso planeta. Carregar o nosso lixo, comer uma comida da gastronomia local, comprar uma arte local e não um souvenir. A gente é da geração ‘made in china’ e a gente esqueceu com a facilidade do consumo o poder que a gente tem como consumidor. São as nossas escolhas como consumidor fazem com que um lugar seja bem sucedido ou não e devemos nos empoderar com consciência a partir do momento que temos uma nota no bolso e vamos fazer um compra.

O TERMO QUARENTENA
Ao fim do bate papo, eu compartilho a curiosidade que a palavra ‘quarentena’ foi criada em Veneza. Que nasceu no período das navegações quando havia uma ilha onde as pessoas que chegavam passavam 40 dias – que era o tempo para desenvolver uma doença ou não. O termo passou a ser usado em medicina para qualquer período de isolamento, mesmo que menos de 40 dias (e nesse  momento está sendo mais).

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